Educação

Educação no Brasil e o labirinto do Minotauro: relações possíveis


O Minotauro é uma figura mítica grega que desperta curiosidade talvez pela forma ou pela aparência meio humana e meio touro. Forte, procurava pessoas para se alimentar; solitário, era recluso num labirinto construído só pra ele – pra que dele não saísse.

Não… este Minotauro não é o do MMA. Talvez ele seja mais parecido com a figura do professor no Brasil e as idiossincrasias a que estão submetidos como uma grande feira digna da gaiola das loucas.

O ensino no Brasil vai de mal a pior em muitas questões e níveis, primeiro porque não há o interesse do Estado em investir firmemente com grande aporte tanto na educação quanto na área cultural, abrangendo todas as formas do saber. A partir daí, encontramos uma superestrutura (in)digna de qualquer cidadão aprender algo em qualquer lugar, iniciando pela arquitetura das escolas que são ainda residuais do Regime Militar e o conceito de estrutura fechada, carcerária, proibitiva, escura e que desfaz muitas possibilidades do corpo docente de encontrar quaisquer saída para programas novos e que possibilitem o despertar dos alunos quanto o interesse em descobrir o mundo e sua beleza.

Ainda sobre a arquitetura, a desconstrução e um novo pensamento sobre este ponto é (a meu ver) a única saída e por isso demanda muito dinheiro, coisa com que o Estado (leia-se de responsabilidade do município, estado e União) não tem simpatia; obviamente, num pensamento capitalista, a escola não dá lucro pois não tem mercadoria.

Mas, como fazer uma revolução no Ensino do Brasil utilizando escolas velhas, caindo, com problemas e com um conceito ultrapassado?

Não encontrei nenhuma imagem para figurar, mas o leitor conhece: aquela abertura de vidro na porta das salas de aula. É um resquício do pensamento autoritário… servia para ver o que se passava dentro da sala. E ainda serve. Práticas pedagógicas inovadoras, uso da tecnologia de ponta, tablets da moda… nada funciona se o espaço que é fundamental na relação homem-sociedade-conhecimento não proporciona esta interação desejada; ainda calcada numa interação piramidal professor-aluno que perdeu serventia na era da comunicação instantânea, necessitando que o professor seja muito mais um mediador do saber e não uma autoridade dele.

O Minotauro no labirinto era recluso talvez da mesma forma que o professor atual, preso a uma série de problemas como salário insuficiente, salas lotadas e metas a cumprir (#oi? metas a cumprir? Parece que estamos falando de olimpíadas e não de vidas dos alunos e pessoas). Os professores, assim como a fábula do minotauro, ficam cada vez mais doentes da própria loucura que lhes foram imposta. Não suficiente, agora tem a coisa da tecnologia… tablets nacionais ruins com tecnologias ultrapassadas.

Até quando Brasil?

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